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sexta-feira, 20 de maio de 2011

Policiais militares de MT passam necessidade nos plantões.Diárias ficam nos Batalhões

Cel PM Fárias, Cmdt Geral da PMMT

    Os policiais militares que trabalham nos Centros Integrados de Segurança e Cidadania (Ciscs) e mesmo nos batalhões da Polícia Militar não tem direito a alimentação e lanches fornecidos pela Secretária de Segurança Pública (SSP). A comida é apenas para policiais civis e agentes prisionais que trabalham nos plantões. Em determinados locais, os militares passam fome, ou compram comida de seus próprios bolsos.
    O policial militar, segundo a reportagem do Portal de Notícias 24 Horas News apurou, recebe uma verba conhecida como Etapa Alimentação (EA). O dinheiro, no entanto, não chega às mãos dos militares, pois vai diretamente para os cofres dos quartéis.
    “Porque as pessoas alegam que a gente recebe uma verba conhecida como Etapa Alimentação” e o dinheiro nunca chega às nossas mãos. Se o dinheiro é nosso. É para comprar a nossa comida, que o governo coloque o dinheiro na nossa conta bancária que a gente vai saber o que fazer. Se isso for feito,  a gente não vai poder reclamar de nada”, explicou um militar que pediu para não ser identificado, que completa.“Se eu me identificar, vão me mandar para o local mais longe de Mato Grosso”
      As reclamações dos policiais militares começaram a vir à tona a partir das também reclamações dos policiais civil, que não estão “engolindo” a comida servida atualmente nos plantões dos Ciscs.
       A reportagem tentou conversar com o coronel Lino Farias, comandante geral da Polícia Militar de Mato Grosso por pelo menos duas vezes durante a semana e não conseguiu.Voltamos a ligar outras duas vezes, mas o telefone celular dele está na secretária eletrônica.
      A história da Etapa Alimentação (EA) é longa e recheada de contos, dos mais hilários e absurdos. A Etapa foi implantada na gestão do então governador Jaime Campos, hoje senador da República, que também construiu o Comando Geral da Polícia Militar. A Etapa Alimentação hoje se caracteriza em uma das coisas mais exdrúxulas dentro da administração pública de um Estado. Até porque os recursos transferidos para os batalhões e demais unidades da Polícia Militar  são gastos sem licitação, para que estas unidades,(Chapada Guimarães,Sinop,Alta Floresta,Sorriso,Barra do Garças,etc) teoricamente, adquiram os mantimentos e produzam as refeições que seriam servidas aos policias.
    Porém Sempre houve uma nuvem de incertezas sobre esses recursos e os próprios oficiais admitem que são utilizados para pagamento de outras coisas(reparos, reformas, aquisição de bens de consumo e duráveis, etc.).Apesar da sua aplicação de dar de maneira ilegal, não estaria caracterizada alguma imoralidade ou mesmo crime, mas nem sempre as coisas são bem assim. Existem algumas histórias, verdadeiras, que demonstram muito bem como a verba é aplicada.
     Em Chapada dos Guimarães, há alguns anos, o comandante da PM local dizia aos subordinados que a Etapa Alimentação não estava vindo ou não era suficiente, de modo que teriam que arrecadar junto à comunidade os gêneros necessários para a feitura da comida.Os policiais militares, como era de se esperar, arrecadaram alimentos em abundância, inclusive, umas poucas cabeças de gado que seriam entregues uma após a outra, de acordo com o consumo. Dito comandante, além de ficar com os recursos da Etapa Alimentação, subtraia as melhores partes do gado e levava para a sua casa. Determinado dia, no entanto, quando o comandante passava um sermão nos subordinados, cada vez que dava a costas para a tropa, ele sempre escutava, em coro, um grande muuuuu....
   Em outra situação, o comandante do Centro de Formação e Aperfeiçoamento de Praças (CFAP), a pessoa que deveria demonstrar, mais que ninguém, um corportamento exemplar, pois era o responsável pela formação dos praças, usou o recurso da Etapa Alimentação  para mobiliar seu gabinete.Quando esse comandante foi transferido para o interior alegou que aqueles móveis eram seus e os levou para casa. Ainda no CFAP, um comandante que ficou por poucos dias, logo que tomou posse no comando da unidade, a primeira coisa que fez ao entrar na sua sala foi chamar o tenente que trabalhava na unidade, indagando-lhe o que havia em um cofre que ficava na sua sala.
       Como o tenente respondeu que era onde guandavam os recursos da Etapa Alimentação,  mandou que fosse aberto, retirou dali o dinheiro e contou. Havia cerca de R$ 15 mil. Retirou algo próximo da metada e colocou no bolso, falando para o tenente que aquilo correspondia a parte dos valores que o Estado lhe devia, por conta de diferenças salariais.O dinheiro subtraído nessa oportunidade era produto da economia feita por um outro comandante que, além de fornecer a etapa aos alunos, estava juntando dinheiro para melhorar as condições das salas de aula da escola.
         Na verdade a Etapa Alimentação sempre foi um cala boca para os oficiais superiores, fazendo com que os mantivessem sempre  calmos nas questões salariais e segurassem a tropa, tanto que os recursos da etapa não chega nas localidades mais remotas, onde, invariavelmente, não existe um oficial superior no comando.
           A reportagem do Portal de Notícias 24 Horas News comprovou na manhã desta quinta-feira (24) a realidade das reclamações. Em cima de uma mesa de um Centro Integrado ainda estava um isopor lotado de marmitas com a comida já estragada porque ninguém comeu. Em outra mesa no mesmo Centro Integrado estavam duas bandejas de papelão vazias.
   
Confira Integra Síte: http://www.24horasnews.com.br/index.php?mat=360539

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